Dança estimula valores e autoestima entre mulheres do Presídio Feminino de Joinville
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Divulgação - Autoestima, coletividade e autonomia são estimulados pelas aulas de dança no Presídio
Desde terça-feira (5), e pelos próximos três meses, a arte também fará parte da rotina do Presídio Feminino de Joinville. Uma vez por semana, cerca de 30 mulheres em situação de cárcere, divididas em duas turmas, farão o Curso de Dança Circular, projeto da VAI! Coletivo contemplado pelo Prêmio Elisabete Anderle de Estímulo à Cultura 2024. O objetivo é estimular, por meio da arte, a autoestima, a coletividade e a autonomia, valores humanos indispensáveis para a capacitação e reinserção na sociedade.
Nos encontros, sempre às terças-feiras, as mulheres conhecem a dança como linguagem ancestral. Com a ajuda da focalizadora, a mestra Maurren Bartz, do Ananda Yoga para Todos, elas têm contato com a dança circular como caminho para perceber no seu corpo em movimento outra forma de (r)existir, de se reconectar com suas próprias histórias e criar novas relações entre si e com o mundo.
Do curso resultará uma apresentação de dança circular, celebrando o solstício da primavera, que acontecerá dentro do próprio presídio para as demais internas. E também em um “aulão” no Museu de Arte de Joinville (MAJ), em outubro, uma forma de compartilhar essa experiência com as pessoas do “lado de fora”.
Além dos benefícios físicos e psicológicos proporcionados pela experiência, o curso oferece certificado que pode auxiliar na remição de pena às mulheres - conforme a lei, cada 12 horas e curso permite um dia de remição.
O curso de dança circular para mulheres em situação de cárcere no Presídio Feminino de Joinville (PFJ) é um desdobramento de outras iniciativas artísticas já realizadas naquele espaço, como cinema e teatro. Trata-se de uma investigação poética, artística e formativa sobre teatro e prisão desenvolvida desde 2019 pela VAI! Coletivo. Antes, em 2010, a atriz Samira Sinara e a diretora Daiane Dordete utilizou essa prática no célebre solo performático “©elas” e, em 2019, na desmontagem do solo performático “Celas e Elas”, ambos contemplados no edital de fomento à cultura do SIMDEC.
Outro projeto que integra essa trajetória foi Histórias Não Contadas: Curso de Roteiro no PFJ, no ano passado, com o cineasta Juliano Lueders, contemplado pela Lei Paulo Gustavo, que possibilitou às alunas reeducandas experimentarem a linguagem do cinema e serem autoras e protagonistas de suas histórias. O êxito desse curso gerou mais interesse em projetos culturais por parte da direção prisional, que desta vez elegeu a linguagem da dança.
O curso de dança circular faz parte do Projeto Celas em Movimento: Curso de Dança Circular no Presídio Feminino de Joinville, contemplado pelo Prêmio Elisabete Anderle de Estímulo à Cultura edição 2024, executado com recursos do Governo Federal por meio da Fundação Catarinense de Cultura. A realização é da VAI! Coletivo com apoio do Centro de Direitos Humanos Maria da Graça Bráz (CDHMGB), Conselho Carcerário de Joinville (CCJ), Federação Catarinense de Teatro (FECATE) e Instituto de Pesquisa da Arte pelo Movimento (IMPAR).
Texto: Rubens Herbst
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