Artigo: O colapso da infraestrutura e o gargalo do progresso brasileiro

O colapso da infraestrutura no Brasil não é fruto de um evento isolado, tampouco de falta de diagnóstico. Trata-se de uma consequência previsível de décadas de ausência de políticas públicas de Estado, substituídas por agendas de curto prazo e disputas político partidárias que pouco dialogam com o desenvolvimento real do país.

Quando o Estado falha nesse tema, o custo não é abstrato. Ele se materializa no cotidiano da população, que paga caro — em tempo, dinheiro, segurança e qualidade de vida.

Ao longo dos anos, a infraestrutura deixou de ocupar o centro da agenda pública. Enquanto o debate político se concentra em polarizações ideológicas e ciclos eleitorais, temas estruturantes são empurrados para segundo plano. O país discute narrativas, mas negligencia decisões capazes de sustentar crescimento, competitividade e coesão social.

A infraestrutura é a base silenciosa do progresso. É ela que permite que a economia funcione, que cadeias produtivas sejam eficientes e que as pessoas se desloquem com segurança. Quando esse alicerce se deteriora, os efeitos se espalham rapidamente: aumento de custos logísticos, perda de eficiência econômica, redução da competitividade e aprofundamento das desigualdades regionais.

O impacto mais grave, no entanto, é humano. Rodovias degradadas e sistemas de transporte precários transformam o deslocamento diário em risco permanente. Horas improdutivas são perdidas, acidentes se tornam recorrentes, vidas são interrompidas e famílias são marcadas por tragédias evitáveis. Tratar esse cenário como fatalidade é ignorar sua verdadeira causa: a omissão continuada do poder público.

O desenvolvimento sustentável exige visão de Estado e responsabilidade institucional. Políticas estruturantes não podem depender de ciclos eleitorais nem de conveniências momentâneas. Elas exigem planejamento de longo prazo, continuidade administrativa, estabilidade regulatória e decisões técnicas — ainda que não rendam dividendos políticos imediatos.

Sem esse compromisso, o progresso não se sustenta. Ele se fragmenta, desacelera e cobra seu preço de forma silenciosa, porém constante, da sociedade como um todo.

Por isso, o debate público precisa amadurecer. Mais do que discursos ou promessas genéricas, é fundamental que a sociedade cobre de seus representantes compromissos claros com agendas estruturais, com planejamento, execução e responsabilidade na gestão pública.

O colapso da infraestrutura não é apenas um entrave econômico. Ele é o retrato de um país que, ao adiar decisões estruturais, adia também seu próprio futuro.

E o custo dessa escolha, invariavelmente, é coletivo.

Marcelo Luís de Campos, Presidente da Associação Empresarial de São Francisco do Sul, Executivo de Logística, Administrador de Empresas e Doutor em Engenharia de Produção e Sistemas.


Artigo: O colapso da infraestrutura e o gargalo do progresso brasileiro Anterior

Artigo: O colapso da infraestrutura e o gargalo do progresso brasileiro

Governo Federal cita caso Master e defende PEC da Segurança Pública Próximo

Governo Federal cita caso Master e defende PEC da Segurança Pública

Deixe seu comentário