Março começa lembrando: igualdade ainda não é realidade

Colunista Jornalista Margaret Paim Março inicia trazendo consigo uma das datas mais simbólicas do calendário social contemporâneo. O Dia Internacional da Mulher não representa apenas homenagens, flores ou mensagens protocolares. Ele existe porque, historicamente, mulheres precisaram lutar, e ainda lutam, para ocupar espaços que nunca deveriam ter sido negados.

Ao longo das últimas décadas, a presença feminina avançou em praticamente todos os setores da sociedade. As mulheres estão nas universidades, no mercado de trabalho, na política, na ciência, no jornalismo, na segurança pública e na liderança de empresas e instituições. Ainda assim, o caminho percorrido revela uma contradição evidente: quanto mais as mulheres avançam, mais resistência social parece surgir.

Essa reação não é casual.

Durante séculos, a organização social foi construída sobre papéis rígidos, nos quais o homem ocupava naturalmente posições de autoridade e decisão, enquanto à mulher era reservado o espaço doméstico e silencioso. Quando esse modelo começa a mudar, e ele está mudando, surgem tensões inevitáveis. Parte da sociedade ainda interpreta o protagonismo feminino como confronto, quando, na realidade, trata-se apenas de igualdade.

A mulher que expressa conhecimento, autonomia ou pensamento progressivo frequentemente enfrenta questionamentos que raramente são dirigidos aos homens. A firmeza feminina ainda é confundida com arrogância. A liderança feminina, com imposição. A independência, com ameaça.

Esse desconforto revela algo maior: a igualdade formal conquistada nas leis ainda não se transformou plenamente em igualdade cultural.

Os desafios permanecem visíveis. Mulheres seguem recebendo salários menores, acumulando jornadas múltiplas entre trabalho e cuidado familiar, enfrentando violência doméstica e barreiras silenciosas para alcançar posições de poder. Ao mesmo tempo, continuam sendo protagonistas na construção econômica, social e comunitária das cidades brasileiras, inclusive em municípios como São Francisco do Sul, onde inúmeras histórias femininas sustentam famílias, empreendimentos e iniciativas sociais que movem a comunidade diariamente.

Refletir sobre o papel da mulher em março não significa dividir a sociedade entre homens e mulheres. Significa compreender que sociedades mais justas são aquelas capazes de reconhecer talentos, competências e direitos sem condicioná-los ao gênero.

A igualdade não retira espaço de ninguém. Ela amplia oportunidades para todos.

Mais do que celebrar, março convida à escuta, à reflexão e à maturidade social necessária para compreender que o avanço feminino não representa ruptura, mas evolução coletiva. Porque uma sociedade que respeita suas mulheres fortalece o próprio futuro.


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