Haddad afirma que dívida pública é pressionada por juros altos, defende queda da Selic e rebate críticas sobre gastos

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o principal fator de pressão sobre a dívida pública brasileira é o elevado patamar dos juros reais da economia, e não o crescimento excessivo dos gastos públicos. A declaração foi feita durante entrevista ao programa UOL News.

Segundo Haddad, o governo federal vem promovendo um ajuste gradual nas contas públicas e conseguiu reduzir significativamente o déficit primário nos últimos dois anos.

“Em dois anos, nós reduzimos em 70% o déficit primário. O problema da dívida tem a ver com o juro real, não tem a ver com o déficit, que está caindo”, afirmou o ministro.

O déficit primário corresponde à diferença entre receitas e despesas do governo, sem considerar o pagamento de juros da dívida. De acordo com dados do Tesouro Nacional, o Governo Central encerrou 2025 com déficit de R$ 61,69 bilhões, o equivalente a 0,48% do Produto Interno Bruto (PIB).

📊 Comparação com governos anteriores
Haddad destacou que, mesmo considerando todas as exceções previstas no novo arcabouço fiscal — como o ressarcimento de descontos indevidos de beneficiários do INSS, despesas extraordinárias e programas específicos —, o resultado fiscal de 2025 foi melhor do que o observado em anos anteriores.

“Se você pegar o déficit projetado para 2023, do governo Bolsonaro, ele passava de 1,6% do PIB. No ano passado, considerando todas as exceções, foi de 0,48%. Isso mostra que o problema não é o déficit”, avaliou.

O ministro ressaltou ainda que a meta fiscal para este ano é mais rigorosa do que as anteriores.

“A meta deste ano é mais exigente do que a do ano passado e do que a do primeiro ano de governo. Nós estamos subindo o sarrafo das exigências”, afirmou.

📉 Juros e política monetária

Durante a entrevista, Haddad defendeu que há espaço para a redução da taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 15% ao ano, embora reconheça que a decisão cabe exclusivamente ao Banco Central.

“Quando me perguntam sobre isso, eu digo que há espaço para cortar os juros, sim”, declarou.

Apesar da crítica ao nível dos juros, Haddad fez elogios à condução do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, especialmente diante de problemas herdados da gestão anterior, como o caso envolvendo o Banco Master.

“Ele herdou um problema que só vai ser totalmente conhecido depois. O Banco Master foi constituído na gestão anterior. O Galípolo descascou um abacaxi e fez isso com responsabilidade”, disse.

🏦 Ampliação da fiscalização financeira
O ministro também defendeu mudanças no modelo de regulação do sistema financeiro, sugerindo que o Banco Central amplie seu perímetro de atuação e passe a fiscalizar fundos de investimento, hoje sob responsabilidade da Comissão de Valores Mobiliários.

“Há muita coisa que deveria estar no âmbito do Banco Central e que hoje está na CVM. Fundos e finanças têm uma intersecção muito grande, inclusive com impacto na contabilidade pública”, argumentou.

💰 Apelido “Taxad” e tributação dos mais ricos
Questionado sobre o apelido “Taxad”, utilizado por críticos nas redes sociais, Haddad afirmou não se incomodar e disse assumir com orgulho as medidas adotadas para ampliar a tributação sobre altas rendas.

“Fico feliz de ser lembrado como o ministro que taxou offshore, fundos familiares fechados, paraísos fiscais e dividendos. Banco, bet e bilionário voltaram a pagar imposto. Essa turma que não pagava, agora paga”, afirmou.

🗳️ Economia e cenário eleitoral
O ministro avaliou ainda que a economia, embora relevante, não deve ser o fator decisivo nas próximas eleições presidenciais, no Brasil ou em outros países.

“A economia é um elemento importante no mundo inteiro, mas não necessariamente decisivo para ganhar ou perder uma eleição”, disse, citando temas como segurança pública e combate à corrupção como prioridades apontadas por pesquisas de opinião.

Haddad também afirmou que não pretende disputar cargos eletivos nas próximas eleições e que essa possibilidade ainda está sendo discutida internamente com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sem definição até o momento.


Haddad afirma que dívida pública é pressionada por juros altos, defende queda da Selic e rebate críticas sobre gastos Anterior

Haddad afirma que dívida pública é pressionada por juros altos, defende queda da Selic e rebate críticas sobre gastos

Opinião: Brasil encerra 2025 com déficit fiscal e crescimento econômico moderado Próximo

Opinião: Brasil encerra 2025 com déficit fiscal e crescimento econômico moderado

Deixe seu comentário