Opinião: Brasil encerra 2025 com déficit fiscal e crescimento econômico moderado

O governo federal encerrou 2025 com um déficit primário de R$ 61,69 bilhões, o que representa 0,48% do PIB, segundo dados divulgados pelo Tesouro Nacional. Em termos práticos, isso significa que o governo gastou mais do que arrecadou, desconsiderando o pagamento dos juros da dívida pública.

O principal fator para esse resultado foi o crescimento das despesas obrigatórias, especialmente com Previdência Social e Benefício de Prestação Continuada (BPC), impulsionadas pelo aumento do número de beneficiários e pelo reajuste do salário mínimo. Mesmo com um superávit de R$ 22,1 bilhões em dezembro, o saldo do ano permaneceu negativo.
Apesar do déficit maior do que em 2024, o resultado foi melhor do que o esperado pelo mercado financeiro, que projetava um rombo superior a R$ 68 bilhões. A arrecadação recorde ajudou a conter um desequilíbrio ainda maior nas contas públicas.

📊 Receitas em alta, mas gastos cresceram mais

As receitas do governo cresceram, puxadas pelo aumento da arrecadação do Imposto de Renda, do IOF, das contribuições previdenciárias e da exploração de recursos naturais, especialmente do pré-sal. O bom desempenho do mercado de trabalho também contribuiu para elevar a arrecadação da Previdência.

Por outro lado, houve queda expressiva nos dividendos pagos por estatais, principalmente Petrobras e BNDES, o que reduziu uma fonte importante de receita do governo.
Do lado das despesas, os maiores aumentos ocorreram nos benefícios previdenciários, no BPC, nos salários de servidores públicos, na complementação da União ao Fundeb e nos gastos discricionários. Em contrapartida, houve forte redução de despesas extraordinárias, já que em 2025 não se repetiram os gastos emergenciais com as enchentes no Rio Grande do Sul, como ocorreu em 2024.

📉 E a economia, está crescendo ou parada?
Na avaliação de consultores econômicos, o Brasil apresenta um cenário de crescimento moderado, longe de uma recessão, mas também sem um avanço robusto. O dinamismo do mercado de trabalho e o aumento da arrecadação indicam que a economia segue em expansão, ainda que em ritmo mais lento.
Por outro lado, o crescimento contínuo das despesas obrigatórias acende um alerta fiscal. Especialistas apontam que, sem reformas estruturais — principalmente na Previdência e no controle de gastos permanentes —, o país pode enfrentar dificuldades para sustentar o equilíbrio das contas públicas nos próximos anos.

Em resumo, o Brasil não está estagnado, mas cresce com limitações, pressionado por despesas rígidas e pela necessidade de manter a confiança de investidores e do mercado financeiro.

Jornalista Margaret Paim


Haddad afirma que dívida pública é pressionada por juros altos, defende queda da Selic e rebate críticas sobre gastos Anterior

Haddad afirma que dívida pública é pressionada por juros altos, defende queda da Selic e rebate críticas sobre gastos

Empresa de Joinville lidera debate nacional sobre insumo estratégico para a indústria brasileira Próximo

Empresa de Joinville lidera debate nacional sobre insumo estratégico para a indústria brasileira

Deixe seu comentário