A semana começa com aquele clima típico de fim de verão em São Francisco do Sul
Manifestação reúne moradores contra projeto do Porto Brasil Sul em São Francisco do Sul no último domingo, 22
A manhã deste domingo, 22 de março, foi marcada por uma manifestação pacífica na região da Praia do Forte e do Sumidouro, em São Francisco do Sul. Moradores, veranistas e representantes de entidades ambientais se reuniram com cartazes e palavras de ordem, como o grito “Fora Porto”, em oposição à possível instalação do Complexo Portuário Porto Brasil Sul.
O movimento foi organizado pela Organização não governamental AMECA (Associação Movimento Ecológico Carijós), com apoio de diversas entidades locais, entre elas a Associação de Surf da Prainha, Aulas de Surf Local SC, Associação Babitonga, Associação de Moradores da Praia de Itaguaçu e Ubatuba, Ame São Chico Turismo Receptivo e SMS Imagens Aéreas.
O ato reuniu também lideranças políticas, como o deputado estadual Vicente Caropreso, integrante da Bancada Norte, que tem se posicionado publicamente contra a implantação do empreendimento no município. Também estiveram presentes o ex-prefeito Renato Lobo e os vereadores Rodrigo Graf, Léo dos Balneários e Mira da Estiva.
Área ambiental e processos em andamento
O projeto do Porto Brasil Sul, que tem à frente a empresa Schneider S.A., do empresário joinvilense Carlos Schneider, segue em tramitação na esfera ambiental e tem gerado forte repercussão na cidade.
O empreendimento prevê a instalação de um terminal portuário na região do Sumidouro, área considerada ambientalmente sensível, inserida na Baía da Babitonga e com presença de manguezais — ecossistema fundamental para a biodiversidade marinha e costeira.
A área também está vinculada ao Parque Natural Municipal do Sumidouro, criado por decreto municipal. No entanto, o caso passou a ser discutido judicialmente após questionamentos sobre a validade e os efeitos do decreto, além da concessão de licença ambiental prévia.
No último mês, decisões judiciais envolvendo o processo trouxeram novos desdobramentos. O Tribunal de Justiça de Santa Catarina chegou a suspender os efeitos do decreto que instituiu o parque, em ação movida por representantes ligados ao projeto portuário. Por outro lado, também houve decisão suspendendo a Licença Ambiental Prévia (LAP) concedida pelo Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA), atendendo a questionamentos do Ministério Público e de entidades ambientais.
O processo segue em tramitação, com possibilidade de recursos por parte dos envolvidos, mantendo o cenário de indefinição jurídica e ambiental sobre a implantação do empreendimento.
Mobilização social e defesa ambiental
Durante a manifestação, os participantes destacaram a importância da preservação da região sul do município, que concentra uma das maiores áreas de manguezais preservados de Santa Catarina e abriga significativa biodiversidade.
Os organizadores ressaltaram que o ato teve caráter pacífico e buscou chamar a atenção das autoridades e da sociedade para os impactos ambientais e sociais que podem ser causados pelo empreendimento. A mobilização reforça o aumento da participação popular no debate sobre o futuro da região, em meio ao avanço dos processos administrativos e judiciais relacionados ao projeto do Porto Brasil Sul.



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