A reunião secreta e os bastidores da decisão de Adriano Silva m optar por ser vice de Jorginho Mello

  • Foto cedida (Luiz Veríssimo) -

Ser candidato a governador com o apoio do PSD ou ser vice de Jorginho Mello? Durante reunião-almoço na última quarta-feira com as principais lideranças de seu partido (NOVO) em Joinville, Adriano Silva comunicou que havia aceitado o convite de Jorginho Mello para ser seu companheiro de chapa em outubro. Em consequência, renunciaria o cargo de prefeito reeleito de Joinville em abril.

Há duas semanas, toda cúpula do PSD/SC – incluindo o ex-senador Jorge Bornhausen - desembarcou (alguns de helicóptero) em Joinville para um encontro com Adriano Silva na residência de seu pai. 

Na presença do prefeito João Rodrigues, eles formalizaram o convite para Adriano Silva ser candidato a governador com o apoio do PSD. A reunião, que seria secreta até ser revelada, agora, pela coluna, terminou sem resposta do prefeito de Joinville. 

Os motivos da decisão

Ao ser informado do convite que, se aceito, poderia representar uma inegável ameaça à sua reeleição, Jorginho Mello convidou Adriano Silva para ser seu vice. Certamente ele pediu um prazo para responder, o que aconteceu no almoço com seu partido alguns dias depois. É claro que as duas alternativas foram debatidas, mas Adriano Silva é maior que seu partido e sua decisão foi respeitada. Quais motivos teriam influenciado o prefeito da maior economia de Santa Catarina em renunciar ao cargo faltando mais da metade de seu mandato? Alguns devem ter sido importantes, como a futura estadualização do Hospital Municipal São José, recursos do Estado para obras inadiáveis (duplicação da Dona Francisca), mas o decisivo foi o promissor futuro político de Adriano Silva em 2030.2030 é logo ali. 

Com Jorginho Mello renunciando para ser candidato ao Senado em 2030, o vice Adriano Silva assumiria em definitivo por oito meses e se tornaria, compulsoriamente, um forte candidato à reeleição. Nenhum deles vai admitir se houve ou não tal compromisso (ou promessa), mas é inegável que tal possibilidade se transforme em probabilidade.

Quem vazou?

Um almoço em sala reservada em um dos restaurantes mais frequentados da Rua Otto Boehm é um risco para seu caráter pretensamente reservado. 

Um dos integrantes da cúpula do NOVO – um dos suspeitos é um vereador – ligou para o jornalista Marco Aurélio Braga e relatou o conteúdo da reunião, principalmente sobre a decisão de Adriano Silva de ser vice de Jorginho Mello. Antes do final da tarde, o ex-diretor de comunicação do prefeito Udo Döhler por oito anos - depois seu assessor na indústria Döhler até o terceiro trimestre do ano passado – publicou em suas redes sociais o conteúdo que estava proibido de ser vazado até a manhã seguinte (quinta-feira) quando Adriano estaria reunido com Jorginho Mello para o anúncio ser feito por ambos nas redes sociais. No final da tarde do mesmo dia, a coluna enviou mensagem ao deputado estadual Matheus Cadorin (NOVO) solicitando mais detalhes da reunião. Quatro dias depois, durante encontro com amigos comuns, ele explicou seu silêncio: foi combinado que ninguém poderia vazar.

A reunião secreta com o PSD

Dois dias depois dela acontecer, a coluna foi avisada do encontro de Adriano Silva com as principais lideranças do PSD em Joinville. Como foi solicitado anonimato, a coluna tentou um contato por telefone com Adriano Silva para confirmar o convite feito. O secretário de comunicação respondeu que “o prefeito não quer falar sobre 2026”. No dia seguinte, a coluna não mencionou a reunião porque não tinha confirmação, mas utilizou no conteúdo uma expressão gaúcha para comentar o silêncio do prefeito: “se mexeram os aguapés”.

João Rodrigues e o MDB

O fato do pré-candidato do PSD a governador aceitar viajar até Joinville junto com a cúpula de seu partido revela que ele próprio não acreditava mais no futuro de sua campanha e que a cúpula partidária também não. Vieram em busca de um “fato novo” para tentar impedir a reeleição de Jorginho Mello. Agora, com o novo cenário, a esperança renasceu com a provável vinda do MDB para ser vice e Esperidião Amin para uma das vagas ao Senado. Afinal, com os tempos de televisão do MDB, União Brasil e Progressistas, o prefeito de Chapecó terá mais que o dobro de visualizações no horário político.

A escolha de Jorginho

Em viagem de férias com a família na Flórida, o deputado estadual Fernando Krelling comentou com a coluna a decisão do governador em não cumprir com a promessa de indicar alguém do MDB para ser companheiro de chapa. Sem usar expressões como “traição”, “não cumpriu a palavra”, “escanteou o MDB”, como algumas lideranças utilizaram nas redes sociais, o vice-presidente da Assembleia Legislativa foi comedido: “é um direito dele escolher seu vice e agora o partido vai debater seu rumo em reunião do diretório na segunda-feira”. 

Contudo, lembrou que o governador fez sua escolha entre o MDB, seu aliado no governo, e o prefeito de Joinville. “Ele me ligou e conversamos por videoconferência antes de anunciar a sua decisão”, confirmou. Uma fonte garantiu que o deputado federal e secretário de Jorginho Carlos Chiodini, em férias no Peru, não foi avisado sobre o novo vice, provavelmente por dificuldades com a internet. “Na segunda-feira ele irá renunciar como secretário”, antecipou uma fonte. 

Mudanças em Joinville

Com a renúncia em abril, assume em definitivo a vice-prefeita Rejane Gambin (NOVO). Sua vaga de pré-candidata à Câmara Federal será ocupada pelo vereador Érico Vinicius (NOVO), sobrinho da esposa do ex-prefeito Udo Döhler. Outra mudança é a pré-candidatura do secretário Gilberto Leal à Assembleia Legislativa pelo Podemos. Como a primeira mulher prefeita efetiva de Joinville, Rejane Gambin terá dois anos para pavimentar seu caminho até as eleições de 2028. Com a aliança PL/NOVO, os quatro vereadores do PL deverão integrar a “bancada do governo”. 

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