Praias e Baía da Babitonga: balanço do verão revela riscos e reforça alerta à população
São Francisco do Sul, um dos destinos mais procurados do Litoral Norte catarinense, vive um verão de atenção redobrada nas praias e na Baía da Babitonga. Além dos riscos no mar aberto, o município também registra afogamentos e acidentes náuticos em áreas de navegação. Segundo os Bombeiros Voluntários de São Francisco do Sul, entre outubro de 2025 e 23 de janeiro de 2026 foram contabilizados 11 afogamentos e dois acidentes náuticos na região, com cinco mortes confirmadas.
O município integra a região do Litoral Nordeste de Santa Catarina, que também inclui Itapoá, Balneário Barra do Sul e a área costeira de Joinville, locais que concentram grande fluxo de moradores e turistas durante a temporada de verão. Nesse contexto regional, entre 15 de dezembro e 18 de janeiro, foram registrados 1.289 arrastamentos por correntes de retorno e 42 afogamentos com recuperação, totalizando 1.331 salvamentos, conforme dados da Operação Estação Verão.
De acordo com o Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina, no verão passado, no mesmo intervalo de datas, haviam sido registrados 2.190 arrastamentos e 49 afogamentos com recuperação, números significativamente superiores aos atuais. A queda nas ocorrências está diretamente relacionada ao reforço das equipes de guarda-vidas, às ações educativas e ao aumento das abordagens preventivas nas praias mais frequentadas da região.
O que são as correntes de retorno
As correntes de retorno se formam quando a água que chega à praia com as ondas encontra um canal mais profundo para voltar ao mar. Esse fluxo concentrado funciona como um “corredor” que puxa o banhista rapidamente para fora da área rasa. O maior perigo não é submergir, mas o cansaço extremo provocado pela tentativa de nadar contra a força da água.
Como identificar e agir
Em praias com postos de guarda-vidas, os locais com risco de corrente de retorno são sinalizados com bandeiras vermelhas, indicando áreas onde não se deve entrar no mar. A orientação é sempre buscar locais protegidos e respeitar a sinalização.
Segundo a major Natália Cauduro da Silva, subcomandante do Batalhão de Florianópolis, o comportamento do banhista é decisivo para evitar acidentes. Ela explica que quanto maiores as ondas, maior é o volume de água que precisa retornar ao mar, intensificando a corrente. Caso a pessoa perceba que está sendo arrastada, a recomendação é não nadar contra a corrente, acenar por ajuda ao guarda-vidas e nadar paralelamente à praia ou flutuar até o resgate.
Atenção redobrada com crianças
Embora a maioria dos atendimentos envolva jovens entre 24 e 25 anos, as crianças exigem cuidado especial. Mesmo correntes consideradas fracas podem arrastá-las com facilidade. A recomendação é que permaneçam sempre no raso e a, no máximo, um braço de distância do adulto responsável.
Como medida adicional de segurança, o Corpo de Bombeiros disponibiliza gratuitamente pulseiras de identificação infantil nos postos de guarda-vidas, facilitando a localização em caso de desencontro.
Afogamentos e acidentes náuticos na Baía da Babitonga
Além dos riscos nas praias, a Baía da Babitonga também tem registrado ocorrências graves, especialmente envolvendo afogamentos e acidentes com embarcações de lazer, como lanchas, jet skis, caiaques e outros equipamentos náuticos.
Segundo dados repassados pelos Bombeiros Voluntários de São Francisco do Sul, no período de outubro de 2025 até 23 de janeiro de 2026, foram registrados 11 afogamentos e dois acidentes náuticos na Baía da Babitonga. No total, cinco mortes foram confirmadas nesse intervalo.
Entre os óbitos, estão duas vítimas envolvidas em acidentes com equipamentos náuticos na baía, um homem que caiu de uma embarcação, também na Babitonga, um jovem que morreu por afogamento na Praia do Itaguaçu e uma jovem grávida que morreu por afogamento na Ponta da Enseada, em São Francisco do Sul.
Os Bombeiros Voluntários informam que esses números ainda não foram consolidados oficialmente pelo Corpo de Bombeiros Militar e pelo Samu. No entanto, o panorama geral divulgado pelo Governo do Estado costuma incluir todas as ocorrências, inclusive aquelas atendidas por corporações voluntárias, o que indica um cenário que exige atenção redobrada.
As autoridades alertam que o aumento do tráfego de embarcações de lazer durante a temporada de verão, aliado à imprudência, excesso de velocidade, consumo de álcool e ausência de equipamentos de segurança, amplia significativamente o risco de acidentes graves. O uso de colete salva-vidas, o respeito às regras de navegação e a atenção constante são medidas essenciais para evitar tragédias.
Balanço recente da Operação Estação Verão
Na última semana analisada, entre os dias 13 e 19 de janeiro, foram registrados 307 salvamentos nas praias catarinenses, sendo 301 arrastamentos por correntes de retorno e seis afogamentos com recuperação, além de 1 milhão de ações preventivas realizadas pelas equipes de guarda-vidas civis e militares. No período, também foram confirmados dois óbitos por afogamento em áreas não guarnecidas.
Os dados reforçam que, especialmente no Litoral Nordeste de Santa Catarina e na região da Baía da Babitonga, a combinação entre atenção, prevenção, respeito às normas de segurança e atuação das equipes de resgate é fundamental para reduzir riscos e salvar vidas durante a temporada de verão.


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